Quer-se dizer, passas pela dor excruciante de nasceres, um tumulto que só encontra paralelo na morte, sujeitas-te ao que te sabem oferecer, que carregas crescimento fora, anseias por seres crescido para decidires diferente, melhor, mais evoluído… a vida lança-te desafios para observar a tua capacidade de a superares e tu já tens a toalha largada, mão direita à testa, mão esquerda nos rins, ‘ais ais ais entredentes, completamente amnésico daquela chama inicial e contentado!!!???, com meia vida, meia faísca, meia produção, criação, meio fôlego, meio amor, meia tesão e meio orgasmo???
Onde está?, como o pudeste largar?, aquele amor, aquela curiosidade pela vida, aquela busca pela emoção mais bela, mais autêntica, mais destapada e real? Aquele fulgor desenfreado, aquela luz que iluminava uma cidade, aquele grito primal que fazia todo o nosso mundo tremer?
Sabes… bem, bem no fundo, eu sei que sabes o que te estou a dizer, o que te estou a perguntar. Sentes, mesmo que finjas ou ignores. Mesmo que nem às paredes, como o fadista, o sejas capaz de dizer. Eu compreendo, foram as aprendizagens mas triturares-te novamente é coisa que definitivamente não está nos teus planos. Ou então colocas paninhos quentes e rezas para que não fervam… e eu pergunto-te… assim baixinho, sussurrando-te que nem embalo para que não descubram e tu te não apercebas que te quero abanar, sacudir-te, abrir-te a cabeça ao meio: obrigar-te a compreender… talvez assim entendas que não vieste para este Planeta para te... contentares. Assim como também sei que, quanto mais eu insisto mais vontade tens de negar e de te justificares… como se não fosse óbvio, como se te amordaçando a ti mesmo me não fizesse ver… é apenas a ti a quem doi, estás disso consciente, nem que seja ao pousares na almofada…
Experienciar e oferecer. É isto que
é… E experienciaste tanto, foste um mago na luta. Um guerreiro incansável, um
colecionador de dons… esqueceste-te foi do espelho. Largaste-o e vês o querem
que vejas, ou estás com a graduação tão retrógrada que te não vês no comboio
passar… “destino: morte, paragens: tenho medo… deixa-me observar a paisagem
da carruagem que é mais seguro”. Talvez seja mais cómodo, apenas não ver...
Ó homem!, estilhaça-te de uma vez, outra vez, ao comprido e em largura! Não te soube bem, um dia??? Antes do tudo o que te aconteceu? Já conheces a cola!!! Ah não?? Procura-a: está dentro de ti, caramba!!! Não a vês? Telefona a quem ta forneça, manda uma mensagem de texto a alguém importante, marca um café pertinente, e porque não, faz uma viagem apenas de ida, destino: felicidade, objectivo: Viver, experienciar, sentir!!! Mexe-te, por amor a ti mesmo: mexe-te!, faz-te à vida!!!
Eu posso gritar no holofote mais potente, posso fazer o poema mais encantador, escrever-te qual carta erudita ou filme com o melhor ator jamais encarnado, que se não fores tu a sentir, a querer, com alma “chega de me contentar”, a gritares-te, “eu mereço e quero muito mais do que isto”, “eu sou merecedor de vida, mais que existência, mais que contentamento”, “eu sou um pedaço da alegria do universo e reclamo a minha parte de direito”, permitires-te fluir no teu caminho, expressares-te finalmente – o que vieste mesmo aqui para fazer… se não fores tu a sentir repito, é como se eu falasse plutónico, é alienígena, um travo a azedo. E isso parte-me o coração. Dói-me que habites no medo, no contentamento e que permitas que a vida te passe ao lado, sem a sentires… apenas ao medo. É que nem o cão ou gata te salvam, eles amam-te incondicionalmente e concordam comigo…
Tu já sabes qual é o destino final. Então, para quê contentares-te?
Se é apenas porque sim, mantém-te e está tudo bem também. Vivemos com as escolhas que fazemos e apenas dançamos nas chuvas das quais não queremos escapar.
Por outro lado, se te reviste, vem ler-me, tal como eu me reli e revi - pode ser que lendo e relendo a coisa se encaixe.
Foto de Evan Velez Saxer

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